20 anos de ESERO: a levar o  Espaço  a milhões de estudantes

Em 2006, a ESA lançou o primeiro Gabinete Europeu de Recursos Educativos sobre o Espaço, ESERO, nos Países Baixos. A sua missão era clara e ambiciosa: apoiar os professores na utilização do entusiasmo pelo espaço para inspirar os alunos a envolverem-se com a ciência, a tecnologia, a engenharia e a matemática, as áreas STEM. Duas décadas depois, o ESERO tornou-se a maior e mais influente iniciativa educativa da ESA ao nível do ensino escolar.

O projeto-piloto ESERO foi criado no Museu de Ciência NEMO, em Amesterdão, sob os auspícios do ministro neerlandês da Educação, Cultura e Ciência. Mas aquilo que começou como um projeto-piloto depressa se expandiu por toda a Europa, lançando as bases de uma rede educativa à escala europeia.

Ativa em 22 Estados-Membros da ESA , com a Letónia e a Lituânia previstas para aderirem em 2026, a rede chegou a milhões de crianças e jovens, dos 3 aos 18 anos, professores e educadores.

“Vi o projeto ESERO crescer desde os seus primeiros dias até se tornar uma rede forte e de grande alcance, e o que mais se destaca é a forma como funciona em salas de aula reais. O espaço é muitas vezes visto como algo distante, mas, na educação, pode tornar a aprendizagem tangível e envolvente. Através do ESERO, os professores recebem as ferramentas necessárias para introduzir temas desafiantes nas suas aulas de novas formas, criando oportunidades para os alunos colaborarem, trabalharem com dados reais e vivenciarem as áreas STEM de forma prática. O que faz a diferença é que esta não é uma abordagem única para todos, mas algo que ganha forma em cada país, refletindo as suas próprias salas de aula, os seus próprios professores e os seus próprios alunos.”

Hugo Marée, Diretor do Gabinete de Educação da ESA

Inauguração do primeiro ESERO no Nemo, Centro de Ciência em Amesterdão, a 10 de abril de 2006. 

STEM para todos

O objetivo do projeto ESERO não é simplesmente ensinar factos sobre ciência espacial, foguetões ou missões de satélites. O seu propósito sempre foi mais amplo: usar o espaço para tornar as disciplinas STEM entusiasmantes, relevantes e demonstrar claramente o seu valor para a sociedade.

Com o ESERO, dentro e fora das salas de aula em toda a Europa, os alunos construíram satélites em miniatura no âmbito da competição CanSat , investigaram as alterações climáticas e o ambiente da Terra utilizando imagens de satélite através do Climate Detectives , escreveram código informático para a Estação Espacial Internacional com o Astro Pi , conceberam futuros habitats espaciais no Moon Camp e treinaram como astronautas no âmbito da Missão X . Os gabinetes ESERO também reforçaram a inspiração com eventos como chamadas educativas em direto com astronautas da ESA em órbita a centenas de quilómetros acima da Terra. 

Ao longo dos anos, estas experiências têm contribuído para mudar completamente a perceção dos alunos sobre as áreas STEM. As atividades ESERO também se estendem para além da sala de aula, abrangendo atividades extracurriculares, clubes de ciência, observatórios, museus e centros de ciência.

“Aprender sobre o espaço foi entusiasmante e divertido. Sentimo-nos como verdadeiros astronautas enquanto aprendíamos ciência de uma forma completamente nova.”

  “Este projeto mudou a forma como penso sobre os meus estudos e a minha carreira no futuro.”

Testemunho de alunos envolvidos com o ESERO Grécia.

Uma abordagem local para um objetivo comum: O ESERO Portugal

Lançamento do ESERO Portugal, aeródromo da Praia de Santa Cruz, por ocasião da primeira competição nacional CanSat, no dia 26 de abril de 2014.

Embora todos os ESERO partilhem objetivos comuns, as atividades implementadas em cada país são adaptadas ao currículo nacional, à língua ou línguas, às prioridades espaciais e às necessidades educativas. A nível internacional, a ESA assegura uma disseminação cruzada de conhecimento e experiência em toda a rede e proporciona acesso a especialistas em espaço, missões, astronautas e projetos educativos internacionais interdisciplinares. O resultado é uma rede educativa europeia única: fortemente ligada a nível internacional, mas enraizada nas necessidades e prioridades nacionais.

Na Suécia, as crianças aprendem sobre sustentabilidade através de macieiras cultivadas a partir de sementes que viajaram até ao espaço. Na Grécia, crianças em idade precoce exploram a observação da Terra através da criatividade e da arte. Em Itália, os alunos participam em atividades de roleplay de ação ao vivo numa base em Marte, resolvendo emergências enquanto aprendem sobre robótica e ciência.

Em Portugal, o ESERO foi criado em 2014  em parceria com a Ciência Viva - Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica . Desde então, estabeleceu algumas inciativas emblemáticas no panorama educativo nacional, desde o Espaço Vai à Escola à Conferência de Professores EspAciais, além dos projetos educativos comuns a todos os ESEROs, com destaque para o CanSat. De realçar também a forte componente de formação de professores, com a criação de alguns recursos próprios com alto impacto na comunidade docente. Interessado em alguns números? O Compreender a Terra Através do Espaço,  um kit educativo associado a temas como Observação da Terra e às Ciências Espaciais já chegou a mais de 5% de todos os professores do ensino básico e da educação de infância através da rede Ciência Viva.

Apoiar professores e educadores

O ESERO apoia os professores através de recursos inspiradores e alinhados com os currículos, formação e atividades de sala de aula que utilizam o espaço para a educação STEM.

Os professores descrevem frequentemente as atividades ESERO como uma oportunidade rara para fazer a ponte entre as teorias STEM e a sua aplicação no mundo real, reforçando a sua capacidade de despertar a curiosidade e de ligar as áreas STEM à vida quotidiana dos alunos e aos seus futuros percursos profissionais.

“Esta formação contribuiu para o meu desenvolvimento profissional de muitas formas, desde a atualização dos meus conhecimentos até novas ideias para aulas, inspirando-me para novas atividades e promovendo uma maior motivação e entusiasmo pelo setor espacial.”

Testemunho de um professor participante na Conferência de Professors EspAciais do ESERO Portugal

 

Uma abordagem prática, baseada na investigação, e a utilização de metodologias didáticas inovadoras são algumas das forças distintivas do ESERO. Em vez de abordagens tradicionais de transmissão de conhecimento através de manuais, aulas expositivas e exercícios estruturados, as atividades ESERO promovem a experimentação, o trabalho em equipa, a interdisciplinaridade, o design thinking e a resolução de problemas. Os alunos analisam dados de satélite, constroem sensores, investigam questões ambientais, enfrentam perguntas em aberto e trabalham com metodologias científicas.

Professores durante um workshop prático da 12.ª Conferência de Professores EspAciais.

Um olhar para o futuro

A rede cresceu muito ao longo dos anos. No final de 2025, os ESEROs trabalhavam em conjunto com mais de 530 organizações parceiras nacionais, incluindo universidades, museus, centros de ciência, empresas espaciais, observatórios, ministérios governamentais, associações de professores e grupos de alunos. O projeto ESERO, da ESA, continua a crescer e a evoluir, mantendo-se na linha da frente da inovação em educação como parte da visão Space for Education 2030 da ESA .

À medida que a sociedade continua a enfrentar desafios ligados às alterações climáticas, à sustentabilidade, à literacia digital e às competências laborais do futuro, o ESERO demonstrou ser parte de um investimento de longo prazo na sociedade. Olhando para a próxima geração de cientistas, engenheiros, professores e solucionadores de problemas, o ESERO pretende garantir que o espaço continua a ser uma fonte de inspiração, curiosidade, criatividade e oportunidade.

Vinte anos após o seu lançamento, as maiores conquistas do ESERO vão muito além dos números, refletindo-se na transformação duradoura que acontece dentro e fora das salas de aula por toda a Europa, onde as áreas STEM se tornaram relevantes, acessíveis e inspiradoras. Para milhões de estudantes, despertou a confiança para questionar, experimentar, explorar e imaginar futuros que talvez nunca tivessem considerado.

Alunos do 1.º ciclo numa sessão de planetário no Centro Ciência Viva de Constância - Parque de Astronomia, durante a 3.ª edição do AstroOvo.

Alunos e professores durante uma Inflight Call com o astronauta Paolo Nespoli.

Aluno a captar dados do seu CanSat com a antena construída pela sua equipa.